Leia, a seguir, um trecho extraído da carta.
[...] Pelo sertão nos pareceu, visto do mar,
muito grande, porque a estender d’olhos não
podíamos ver senão terra com arvoredos, que
nos parecia muito longa. Nela até agora não
pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem
coisa alguma de metal ou ferro, nem o vimos.
Porém a terra em si é de muito bons ares,
assim frios e temperados com os de Entre-
-Douro e Minho, porque neste tempo de agora
os achávamos como os de lá. As águas são mui-
tas e infindas. E em tal maneira é graciosa que,
querendo aproveitá-la, tudo dará nela, por cau-
sa das águas que tem. Porém, o melhor fruto
que dela se pode tirar me parece que será salvar
esta gente. E esta deve ser a principal semente
que Vossa Alteza nela deve lançar.
OLIVIERI, Antonio Carlos e VILLA, Marco Antonio.
Pero
Vaz de Caminha: carta do achamento do Brasil.
São Paulo: Callis, 1999; p. 44-5.
A carta de Caminha
Entre-­Douro
e Minho:
antiga província
portuguesa, situada
entre os rios Douro
e Minho, ao norte
de Portugal.
Uma das páginas da “Carta de Caminha”, manuscrito
escrito por Pero Vaz de Caminha em 1500.
O texto da carta revela o interesse por metais preciosos – tais como ouro e
prata. O objetivo era explorar os recursos naturais, mas há também a sugestão
de evangelizar os indígenas que aqui viviam. São todos componentes do olhar do
colonizador sobre as novas terras e sobre seus habitantes.
Navegar e encontrar novas terras eram ações importantes no período das
Grandes Navegações, nos séculos XV e XVI. Mas a meta maior era ocupar os
novos territórios, pois isso permitiria atender aos interesses da metrópole, princi-
palmente os mercantis, e explorar e comercializar produtos.
Mapas elaborados no período das Grandes Navegações possibilitam detectar
a importância da cartografia, cujas informações auxiliavam a defesa e a ocupa-
ção do território. O mapeamento do território conquistado era importante, uma
vez que outros conquistadores europeus, como franceses e holandeses, tinham
igualmente interesses na exploração mercantil das terras recém-encontradas.
Nos séculos XVI e XVII, esses povos também fundaram cidades na costa do Su-
deste e do Nordeste do Brasil.
Portanto, esses primeiros mapas são importantes documentos históricos. Ao
analisar esse material, podem-se identificar os interesses e as ideias do coloniza-
dor europeu em relação às terras do continente americano e, em especial, às que
viriam a formar o Brasil.
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa
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